Crónicas Universidade Lusófona

Sócrates e o Escravo de Ménon | Políticas Ed. e Lusofonia

A dedução contemporânea no ensino universitário.

http://www.ulusofona.pt/cronicas/socrates-escravo-menon

Filipa Antunes


O estímulo ao conhecimento contemporâneo pragmatizou-se na quantificação das competências, deixando para segundo plano a reflexão sobre a demonstração dedutiva. Já não haverá tempo para descobrir, e fazer o caminho até à resolução de problemáticas exigentes.

Desde há muito, que a prestação de provas académicas públicas consiste num ato expositivo de uma determinada temática, comprovando ou não, o seu domínio. Por tudo o que se possa aferir nessa exposição, onde a competência é medida pela capacidade de apreensão de um conjunto de entradas temáticas, fracassa no reduzido espaço dedicado à fundamentação. Na excelência de um raciocínio potenciador de ciência estarão as incertezas sistematizadas sobre uma determinada problemática. Vejamos que, na atribuição de um diploma valida-se um ciclo do conhecimento, que se prevê na evolução. A mudança de paradigma passará pela recuperação do método dedutivo de inspiração motivadora.

Platão, no diálogo filosófico, entre Sócrates e o escravo de Ménon, revela essa que será a maior demostração de humildade científica. Perante um complexo desafio de resolução geométrica e matemática, aplicando o método dedutivo, o interlocutor aparentemente incapaz (dado o desconhecimento), conduzido sempre por questões, revela chegar à solução. A pergunta de partida seria: tendo como base um quadrado, como calcular um quadrado com o dobro dessa área?

Sócrates desenha o quadrado no chão, e numa sequência de perguntas, consegue que o escravo de Ménon descubra a resposta certa, ao ponto de este acreditar que noutra vida teria sido um Mestre Sábio. Neste texto, existe a consciência de um percurso longo e demorado, num Tempo de fórmula que hoje se conhece de imediato.

Ora esse imediatismo é inversamente proporcional à motivação científica.

Um dos desafios da contemporaneidade universitária será exatamente o equilíbrio entre a demora de uma dedução e a informação instantânea.

Filipa Antunes
SubDiretora do Departamento de Arquitetura e Urbanismo ECATI
Diretora do Doutoramento, Mestrado e Licenciatura em Urbanismo da ECATI

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