Agentes transformadores na formação em Arq. e Urb. Uma reflexão sobre os modelos geracionais de uma profissão que impulsiona ideais individuais com repercussões coletivas.

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Filipa Antunes


Hoje, pensamos na Arquitetura e no Urbanismo como setores de desenvolvimento da sociedade organizada, que nos referenciam culturalmente numa nuvem de homogeneidade conceptual. Vejamos que, ao percorrermos as principais cidades da Europa facilmente absorvemos a identidade coletiva que o ambiente urbano criado nos últimos 20 anos, nos coleta.

A geração do conhecimento digital e tecnológico, quer de estruturas quer de construção e sobretudo de estereótipos criativos, materializa-se nas cidades de uma forma inequívoca.

Enquanto agentes transformadores, cabe-nos entender os fenómenos associados a práticas de formação teórica multidisciplinar, mas essencialmente multicultural.

A inspiração Arquitetónica ou Urbanística passou a estar noutra dimensão – a intercontinental.

O mundo encurtou, ao mesmo tempo que se distanciou – no que nos distingue, no que nos diferencia ou nos identifica.

Na profissão e na academia assistimos ao fenómeno de cooperação no conhecimento.

O sistema aluno-professor-conhecimento, baseia-se numa nova realidade que não passa apenas pela disponibilidade imediata do on-line, mas sim ao vínculo institucional do lugar académico e da relação entre estes agentes.

Na formação específica em Arquitetura e Urbanismo assiste-se a uma espécie de mimetismo da estrutura profissional encontrada nos ateliers, que se traduz muito mais na transformação do espaço de aula num laboratório projetual de investigação, deixando para trás a figura tradicional – a plateia assistente passou a plateia participativa e o professor expositivo passou a agente transformador associado a parcerias internacionais.

Desta forma, o encontro geracional e o encontro internacional (até à pouco tempo, improvável) promove a constituição do maior desafio para a academia – entender a formação | profissão na diversidade cultural aplicada a conceitos que se alimentam do significado de lugar, da história da teoria e das correntes artísticas.

Em 2016 uma turma universitária dificilmente terá na sua composição um sistema de nacionalidade única. Os professores são convidados a partilhar aulas em diversos cursos e países e os alunos são igualmente de todo o mundo – Portugal; Brasil; Angola; Cabo-Verde; Moçambique; Espanha; Polónia; Itália; Síria; Irão; Turquia…

Este novo paradigma coloca-nos pedagogicamente no topo de um desafio incrivelmente aliciante com avanços científicos claros, ao mesmo tempo que urge o ajustamento de procedimentos académicos, atualmente preconizados nesta instituição.

Filipa Antunes
SubDiretora do Departamento de Arquitetura e Urbanismo ECATI

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