VISITA DE ESTUDO E AULA DE DESENHO EXPOSIÇÃO MUSEU DA CIDADE

VISITA DE ESTUDO DIA 21 OUT.

EXPOSIÇÃO::MIGUEL BRANCO. DESERTO   

A exposição apresenta quatro núcleos distintos que ocupam as quatro salas do Pavilhão. Pensados a partir do espaço da galeria, em cada núcleo existe uma “figura chave” que amplifica e cria uma tensão com as restantes peças, estendendo ligações às diferentes salas. As peças desenvolvem ligações entre si, criando uma dinâmica espacial pela forma como se articulam com o espaço, com as suas escalas e com o percurso do observador.

Extractos do texto de Bernardo Pinto de Almeida do catálogo da exposição:

«As obras mais recentes de Miguel Branco, agora pela primeira vez apresentadas, trazem os sinais evidentes que já se sentiam cada vez mais claros, de si a si mesmos, em séries anteriores, mas transportados aqui para uma lógica, para uma escala e para uma situação diferentes.

Poderíamos cingir alguns desses sinais através de referências muito sintéticas. Entre estas, um semelhante culto da estranheza e da contemplação atenta de quanto nos inquieta no interior do aparentemente mais estável; um sentido fundo de interrogação sobre as obras do passado – seja este o arqueológico ou o artístico; uma vontade de prospecção das formas a vir; ou, ainda, a observação no coração do actual (do agora e do aqui) da presença simultânea de muitos tempos e de muitos espaços.»

«A sua matriz pressupõe a construção de um dispositivo cénico, senão mesmo teatral, sobre o qual aparecem depois as personagens que esse mesmo dispositivo (e o seu clima particular) suscita. »

«A obra consiste então, em grande parte, menos nas obras elas mesmas (e nisso cada vez mais se acentua a sua dimensão conceptual) do que no resultado conjunto de todos estes processos articulados entre si.»

«Poderia então dizer-se que obra de Miguel Branco começa por ser um processo conceptual cuja mapeação necessita de figuras.»

«Trata-se, então, de partir da convenção estabilizada de que a arte existe como um corpo legitimado, reconhecível, para depois paulatinamente a ir desestabilizando, incorporando no interior do próprio processo construtivo elementos perturbadores e desestabilizadores não apenas dessa convicção como dessa estrutura mesma. Ou seja: a estranheza neste caso resulta precisamente de haver um constante assalto perpetrado à estabilidade da nossa ideia de arte.»

«Será, então, a partir dessa inquietação, que deste modo se torna modo operativo interior à própria obra ou sinal de uma alteridade inscrita nela como um ferro, que se desenvolve o que acima referi como sendo da ordem de um sentido fundo de interrogação sobre as obras do passado»

«Isto é, não é partindo de uma tradição que no entanto conhece profundamente e que domina (a tradição da história da arte) que o artista opera. Ele surpreende essa tradição, sim, reencontrando-a, mas a partir de uma transformação que já teve lugar e a partir da qual tudo o que se vê passa a ser visto de outro modo.»

«Assim, diria que a presente obra de Miguel Branco constitui, de certo modo, sob a forma da instalação, uma espécie de arqui-forma de pintura. Aqui, o espectador como que é convidado a entrar no interior de uma gigantesca pintura, que pode habitar como se de uma animação 3D se tratasse, deslocando-se entre as diversas personagens e elementos, chocando com elas, acercando-se das suas formas, convivendo com elas»

« trata-se de um processo em que possa ele mesmo, espectador embora, mas trans-formado em personagem de uma maquinação pictórica na qual entrou desprevenido, percepcionar a realidade que o envolve, e nomeadamente a realidade da arte, a partir de um outro olhar.»

«Um olhar outro que é aquele que nasce de uma outra experiência do seu próprio corpo quando sujeito a uma metamorfose.»

http://www.museudacidade.pt/Esposicoes/Temporarias/Paginas/MIGUEL-BRANCO–DESERTO.aspx

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